A VERDADE DEVE SER MOSTRADA

Gasto com saúde e transporte é maior do que com educação, mostra IBGE

Segundo pesquisadores, custo do ensino privado pode ser uma das explicações para diminuição dos gastos. Despesa teve queda de quase 25%

As famílias brasileiras estão gastando mais com o transporte e com a saúde e menos com a alimentação. O IBGE divulgou dados baseados na pesquisa de orçamentos familiares realizada em 2008 e em 2009.

De carro ou de ônibus, ninguém escapou. Os preços das passagens subiram e os milhares de brasileiros que compraram o primeiro carro entre 2003 e 2009 descobriram que os gastos estavam só no começo.

“Estacionamento é o que pega mais, é mais caro e combustível também”, diz um motorista.

Em seis anos, o peso do transporte na despesa das famílias subiu pra 16%. Hoje, o brasileiro gasta para se deslocar quase o mesmo que para comer. O aumento do crédito e da renda que fez disparar a venda de carros, também mudou outros hábitos.

“As pessoas vão ficando com mais dinheiro no bolso e acabam gastando com bens de serviços que não são essenciais”, aponta o economista Celso Toledo.

Aos poucos, produtos de higiene e beleza abocanham uma parte maior do salário. Viraram os preferidos de Sandra, depois que ela se separou.

“Sente melhor, fica mais bonita, entendeu? Chama mais a atenção”, defende ela.

Gastos com saúde também subiram. A maioria é com remédio.

“Para o joelho, para os ossos, para dor. Vai um dinheirão nisso”, diz uma senhora.

Pela primeira vez o IBGE detalhou os gastos dos brasileiros com viagens. Esse tipo de despesa é maior entre as pessoas que estudaram mais. No Brasil inteiro, a maioria das famílias viaja a lazer. Já o segundo principal motivo varia de região para região.

Viagens de negócios aparecem com destaque no Norte e Nordeste. Enquanto no Centro-Sul, o motivo é visita a parentes.

“Tenho irmã em Aracaju, tenho filho em Goiânia e hoje viemos para comemorar o aniversário do filho aqui”, conta uma mulher.

Mas tem coisa que o brasileiro não quer por perto. Estrada movimentada do lado de casa é a maior queixa, segundo a pesquisa do IBGE. Um efeito colateral do crescimento.
Outro dado dessa pesquisa mostra que as famílias estão gastando menos com educação.

Josefa da Conceição anda bem mais, hoje, para levar o filho até o colégio. A compensação é que não gasta quase nada com a educação de Juan. A troca da escola particular pela pública foi uma necessidade para aliviar o orçamento.

“Fiz as contas e fica muito puxado, além da mensalidade você teria que pagar e teria que comprar todo o material escolar”, diz a promotora de eventos.

Reduzir os custos com educação foi uma decisão tomada por muitos brasileiros nos últimos anos. É o que revela a pesquisa do IBGE: no gasto total das famílias, esse tipo de despesa teve queda de quase 25%.

Em seis anos, a fatia do orçamento que vai para educação caiu para 2,5%. Já a que vai para o pagamento de impostos subiu para 4,6%. O corte foi maior nas casas em que as mães criam seus filhos sozinhas: redução de 31%.

A única exceção está nas famílias chefiadas por trabalhadores domésticos. Nesse caso, o gasto com educação aumentou de 1,5% para 1,9%.

“Isso pode ser algum investimento, seja na escola privada, seja nos cursos de aperfeiçoamento, nos cursos de idioma, informática, profissionalizante”, aponta o pesquisador do IBGE José Mauro de Freitas Júnior.

Segundo os pesquisadores do IBGE, o custo do ensino privado pode ser uma das explicações para a diminuição dos gastos.

Para o economista Rubens Penha Cysne, cortar qualquer tipo de investimento em educação é preocupante.

“Isso é ruim, porque o que nós queremos é incluir pessoas que hoje em dia estão fora do mercado de trabalho e também pessoas que hoje em dia querem planejar, querem ter ideias, querem ser inovadoras e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento nacional”, defende o diretor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas.

G1

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